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Esquerda e Direita - Socialistas e Conservadores

Última atualização em 17/07/2016

Esquerda x Direita
Esta página é um resumo do artigo "Esquerda e Direita", de Roberto Campos. O artigo esclarece a origem da Esquerda Política e da Direita política. Fala sobre ideais socialistas e ideais capitalistas. O artigo original, de Roberto Campos, publicado em 28/08/99, começa assim: Originariamente, como se sabe, esquerda e direita eram apenas lugares de cadeiras na Assembléia Nacional Francesa. Os mais radicais contra o estado de coisas acabaram ficando como "esquerda", e o oposto valia também para a "direita". A topografia ideológica foi transposta para as correntes socialistas [esquerdas] e conservadoras [direitas].

A questão diante da qual estamos hoje não se vincula mais a esse jogo de cadeiras. E não nos resta mais alternativa senão avaliar a complexa herança dos movimentos socialistas à luz das espantosas mudanças pelas quais vem passando nosso planeta na era da globalização e da digitalização.

Todos nós, em maior ou menor grau, temos nossas divisões íntimas entre utopia e realismo. Creio que não haverá ninguém verdadeiramente humano que não fique indignado com certos casos do mundo real, e não queira mudá-los. Mas é próprio apenas da imaturidade juvenil achar que sabe o suficiente sobre tudo, e que pode prever todas as conseqüências de seus feitos. Ideal e realidade são os dois pólos extremos entre os quais se tenciona a condição humana. E a falta de algum deles é mutilante.

A Revolução Francesa -- filha do racionalismo e do humanismo que confluíram na formação do pensamento liberal -- contestava a noção de privilégios hereditários, dados pela posição social de uma pessoa em função do nascimento. E a América era "o seu canteiro e escola", diria Schlegel em 1928. Pouco mais de um século depois, a democracia americana passaria a ser, para Sartre, "a mais odiosa forma de capitalismo". A burguesia ascendente, que representava o modo de produção que iria derrubar a velha ordem econômica agrária, ostentava uma ótica igualitária meritocrática (típica do primeiro socialista utópico, Saint Simon). Não tardaria porém que se percebesse que estavam surgindo novas formas de desigualdades que, no extremo, significavam acumulações opostas de pobreza, degenerando para a miséria; e de riqueza, crescendo para a opulência. Foi quando Marx indagou por que, se a capacidade de produção estava se multiplicando tanto pela tecnologia e pela organização capitalista, alguns haveriam de ter demais, e outros, de menos. No seu momento, pergunta válida. Mas a experiência mostraria que as coisas eram bastante complicadas. Por exemplo, haverá algum modo eficiente e razoável de se tirar o suficiente dos que têm demais para dar aos que têm de menos?

A proposta marxista era os "expropriados" expropriarem os "expropriadores", e assumirem o controle dos meios de produção. A segunda parte não funcionou, e a experiência soviética afundou com ela. A proposta, muito mais antiga, do Cristianismo produziu alguns santos, mas ninguém descobriu como transformar as virtudes da caridade e do amor ao próximo em comportamento cotidiano. O problema das tentativas de ver o mundo na perspectiva de valores transcendentes é que esses precisam de mecanismos intermediários, o que, em última análise, significa alguém mandando e os demais obedecendo.

A ideia das velhas esquerdas dos anos 50 a 80, de luta armada, totalmente fora da realidade, só serviu para estimular a reação antidemocrática.

Não me entusiasma a sociedade de consumo desenfreado, nem penso que o mercado seja o árbitro de todos os valores. Esses têm de vir da cultura, da sociedade, das pessoas. Sem radicalismos de "direita" e "esquerda". "Todas as revoluções passam", dizia Kafka, "e só resta o lodo de uma nova burocracia"...
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Autor: Roberto Campos

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